terça-feira, 22 de junho de 2010

Sinto-te


Penso na vida depois da morte. O que há para além de um corpo abandonado, quem o abandona. Que fragmentos existem depois de olhos já fechados.
21 gramas abandonadas num mundo desconhecido tão antes conhecido.
21 gramas, segredos da chama quente de uma rua escura e sem saída.
21 gramas, vulto frio saído de caminho sangrento.
Sinto uma presença.
Recuo, e não há nada.
Ouço um respirar ofegante, de alguém que está perto, mas tão longe se encontra. Agora.
Breves movimentos vagueiam diante o meu corpo, tento acompanhá-los, mas perco-os.
Sinto-o aqui.
Num breve instante solta o toque macio, e em pequenos e quase silenciosos suspiros solta palavras que em tempos ouvi.
Sinto-te.
Aqui.
Fecho os olhos e sinto que estou perto.
Sinto-te, outra vez.

domingo, 20 de junho de 2010

A Sombra [...]


Um corpo desenhado sobre qualquer superfície, que nem mesmo com a mistura de olhares turbulenta se consegue decifrar o que nele vagueia.
Ali se transmite o que um simples acto esconde.
Ali se ouve o que as palavras se recusam a dizer.
Ali se vê a verdade desenhada em contornos negros.
Uma sombra é mais do que um seguimento real. É o percurso do oculto.
Uma sombra é lábios cerrados, olhos fechados.
A sombra é o movimento anónimo, é quem mostra.



A sombra é quem fala.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Serralves em festa 2010

Fotografia: José Eduardo
FICARÃO DE FORA OS CÃES


Quantas maneiras há para se morrer? De que variadas formas o sono final nos pode assaltar? Um ataque cardíaco, um terramoto, ou um simples ataque de tosse. E quando? Daqui a um ano, um dia ou neste preciso segundo? Podemos fugir, mas não nos podemos esconder...



Direcção - Jaime C. Soares
Interpretação - alunos dos Cursos de Teatro e Dança do Balleteatro Escola Profissional - Humberto Caetano, Bruna Martins, Maria Carolina Montbrun, Valter Fernandes, Ema Santa Bárbara, Maria Antunes, Micaela Soares, Vasco Lima, Bruno Almeida, Cláudia Moreira, Flávio Loureiro, Olena Pyeskova, Inês Viegas, Raquel Calção, Ricardo Pereira, Hélder Silva, Pedro Andrade, Marisa Carvalhido, José Silva, José Leite, Márcio Ferreira, Patrícia Teixeira.
Assistente do projecto - Alexandre Tavares
Operação de som - Matu
Produção - Balleteatro

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Simbologia de Mar


Água em constante movimento, simboliza o transitório, ambivalência e a dúvida. Potência violenta, destrutiva e indominável, constituí um espaço de dissolução, um abismo profundo, metaforizando a morte e as pulsões, desconhecidas e temidas, do inconsciente. Enquanto calmo, o Mar aproxima-se simbolicamente da Água maternal (o rio, a fonte); uma vez tempestuoso, perde estas características, adquirindo um perfil masculino que representa quer a força, quer a consciência infeliz.


Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, Dicionário dos símbolos, trad. de Cristina Rodrigues e Artur Guerra, Lisboa, Teorema, 1994 [texto adaptado]