segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Mundo miúdinho [Parte II]

Gosto de acreditar que vivemos num irreal.
Pertencente a nós próprios.
Gosto de acreditar que um eu deve crer.
E apagar faz parte de quem assim o quer.

Já não existe


A solução é pensar que não estava em mim.
Era miragem, e todos os ruídos mentira.
O peso de mim deu para ficar protegida ou agarrada ao muito, [pouco] que tinha.
Deu para ouvir, chorar, falar, ver a ir, ver a ficar.
Deu para ver toques de mãos alheias.
Olhares, pensares sobrepostos a nós.
Fortalecemos um mundo de unificadas.
Confundimos um jogo purificado repleto de promessas.
São memórias de olhos fechados.
Vamos viver como até agora:
Sem noite até então.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Um eu talvez

O aqui está como deve ser.
Como outrora foi.
Cada partícula isolada por si só.
Num acreditar que morre
Sem pedir perdão.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Como quiseres


A espera hoje incomoda.
Os sentidos estão trocados e não há ninguém para alguém.
Os diálogos são cada vez menos, e a distância cada vez mais longa.
Não consigo imaginar um caminho traçado por passos, talvez nossos.
Não consigo ver para além do próximo minuto.
Por agora,
Deixo-me ficar pelas frases omitidas.
Pelo feito rodeado de não feito.
Pelo que virá, se assim o quiseres.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Até voltares


Ouve-me dizer como mulher
Vê-me avançar como menina.
Porque o tempo já não precisa de contagem.
E espero que assim seja.

Mais uma vez

Compreensão não seria demais
se em todos os momentos houvesse saudade.

Um agora é suficiente


Talvez fosse mais fácil virar as costas ao que resta.
Fechar os olhos a tudo o que fez parte de um passado ainda presente.
Mas seria apagar o que o tempo nos mostrou.
Seria esquecer o que ainda não procuramos.
Assim, espero que o que não tenho apareça – um dia – em breve.
E o que tenho, permaneça até um de nós não gostar de coisas fáceis.



Porque o que eu escolhi faz parte até haver um não.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Só mais uma página


Enquanto pequena, procurou crescer na mentira.
Hoje, vê-se mulher sem precisar de enganos.
A unanimidade das palavras já existia.
Talvez uma outra lágrima.
E que novos livros apareçam.

(se) fosse uma viagem

Era uma vez uma mulher em sonho de menina
que esperava encontrar o dia na próxima paragem.

[tudo (se) parte sem aviso]

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O antes no depois


Numa estranha junção de ideias, o resultado não é deveras neutro, apenas confuso e sem sentido, tal como deve ser.

Um dia aprendi a idealizar para não viver apenas no que é credível, utilizo assim, o silêncio como palavra.
Tudo mudou de uma forma fácil, mas extremamente dolorosa, e em outros termos tão pouco superficiais. Gostava daqueles dias. Gosto desses dias. A verdade é que não havia outro lugar onde pudéssemos ir. A verdade é que procurei todas as gramas para haver segredo. Vi o que não via, perdendo o controlo, ganhando o que não tinha.
Hoje não sei se as tuas palavras continuam irreais, a verdade é que estamos para além do rio, e ainda sei que não é sempre justo, e que tudo o resto é falso.
Ainda gosto de fechar os olhos e sentir que estou perto, gosto de esperar que o vento traga o que as palavras não nos contam.
Numa cama sem respostas, onde por vezes nós transmitimos o que um simples acto esconde, os novos impactos tornam-se cada vez mais especiais.

Era óptimo que tudo fosse mais fácil.
Puramente imaculado.