quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Incerteza de um lugar

A multidão gritava. O desespero em cada rosto melodizava o espaço. O som moldava a não cor do mar.
Uma multidão de corpos intocáveis, com presença de personagem, apagando uma luz que viera de noite, ainda que de dia.
Por lá, havia alguém não pertencente àquela gente.
Estático; tocável; pálido; real em corpo gélido.
Olhar ocupante de um lugar distante. Um olhar que passava por entre a multidão, sem ver. Descalço, para sobre a água, revelou um gesto de certeza…
De que por ali iria ficar.

sábado, 16 de outubro de 2010

xeque-mate


Uma luta. Que não é positiva, nem tão pouco negativa, mas uma luta.
Tentando matar cada minuto de um quadro sem beleza, sem arte aos olhos do povo – sem dialectos.
Nesta luta sem jogadores, vamos matando cada segundo, esperando os próximos.
E pintando, ao mesmo tempo da matança, o meu quadro de fantasia.
Nas nossas paredes, com os nossos olhares.
Num jogo só nosso, sem vencedores.
Apenas com perdedores.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

vagueando pelo vazio

Um corpo entoado pelo álcool;
Um corpo estático pelo sono;
Dois corpos – poucas palavras;
Numa noite não longa;
Uma chegada á distância, de pouca duração;
Sem imagem precária, sem sentido.
Dois corpos - passado.
Nenhum deles se recorda.
Dois corpos – num julgamento sem provas.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

rever ás sombras


Voltei a ver. Revi.
Revi o olhar pálido, por entre a distância, onde o tempo não recua, nem avança – permanece.
Revi.
Revi o caminhar gélido, sobre a água, inconfundível, mas tanto ou pouco igual a outros.
Caminhei pela metafísica e revi.
Silenciei, os passos, a respiração. Silenciei-me.
Num lugar restrito, num espaço meu, sem um único fio de fragilidade.
Revi-me.
Em estado petrificado,
Sem decifrar palavra a palavra de ninguém.