sexta-feira, 30 de abril de 2010

Narrativa

"Fui ver quem era. Uma criança a estender a mão. Dei-lhe a minha inteira atenção, ouvi-a.
Num reflexo rápido vejo o gato a atirar-se contra a cara da miúda. Não tive reacção. Deixei-o ir.
Ele sai por si só, corre em direcção à travessa do molho, mergulha – queima-se – morre.
Ouvi-o queixar-se por uns segundos, mas mesmo assim continuei a dar a minha atenção à pequena. Quando esta acabou o seu discurso de “Quero!; Não pode?; Por favor!; Não se importa?”, dirigi-me à travessa, guardei uma tigela de molho para mim, para o meu jantar, e coloquei o bicho em molho num parto mais bonito, e dei á miúda. Ela foi embora, contente e feliz. Eu? Fui limpar a cozinha e fazer o jantar."

domingo, 25 de abril de 2010

Whitesnake - Here I go Again

ok, esqueçam o vídeo. Só a música importa.

Foge...


...Fica sozinha por uma noite. E o silêncio não passará de gritos.
...Assim o sonho do passado, permanecerá pesadelo.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Irreal


Olho à minha volta.
Caminho em direcção ao espelho onde o meu reflexo parece irreal.
Observo.
Procuro.
Não encontro nada.
Tentei sentir-me.
As minhas unhas marcaram um caminho sangrento no meu corpo. Mas nem o líquido vermelho a percorrer-me fez diferença.
Não sinto.
Sou irreal tal como o reflexo.
Irreal como muitas das tuas palavras.
Não basta ver o rio.
É preciso senti-lo.
Eu não o sinto.

Tu também não.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Eu e tu - Relembro


Ao deitar-me decidi relembrar, quando o sol ainda ia alto e, o fim do dia tardara cada vez mais.
Voltei a sentir tudo de novo, o toque imortal. A lembrança daqueles dias em que cada um de nós só sentia o toque um do outro.
"I can remember all the things that you did". Nunca me vem à memória os meus actos, mas sei que te agradavam.
Vem à memória todas as tuas palavras, que de certa forma me deixaram confusa. Mas a confusão era agradável. Era uma forma de saber que eramos reais. Era a forma mais crua de te ter por perto, mas estava ali. Não queria sair.
Na verdade, nem eu, nem tu tinhamos outro sitio destinado. Na verdade, não havia outro lugar onde pudessemos ir. Ali estava o segredo. Para o mundo não era segredo, era loucura, mas para nós, o aparecimento de um mundo privado tinha de se manter em segredo.


Micaela Soares Ema Santa-Bárbara

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Personagem

"Procuro soldados, guerreiros. Homens com necessária força para derrotar o que ainda não foi derrotado.
Homens imunes ao medo, à derrota. Homens imunes ás chamas, imunes ao sangue alheio cravado nas suas mãos.
Homens sem armas, sem identidade, homens que só sentem a sua própria revolta.
Eu não procuro a destruição, eu faço-a.
Não aceito fracasso. Eu faço as forças fracassarem.
Aceito ver corpos desfeitos , ruas destruídas, planícies queimadas.
Aceito ver o caos.
Sou a Guerra. Qualquer Guerra. Todas as Guerras.
Sou a Guerra que acaba sempre, mas sempre intemporal."