domingo, 13 de novembro de 2011

Romeu e Julieta


Ou morre o amor ou morrem os amantes é a frase que nos guia nesta nossa aventura shakesperiana, contando esta história mil vezes lida e ouvida, mas cujo segredo e novidade está na verdade da forma muito pessoal com que a fazemos aqui: um espectáculo sobre o amor, e porque não, sobre o nosso amor a isto que fazemos, cada vez mais teatro.
Direcção Marcos Barbosa
Tradução de Fernando Villas-Boas
Interpretação Andreia Pereira, Ângelo Carvalho, Carolina Macedo, Cátia Oliveira, Débora Coelho, Diana Teixeira, Diogo Rosas, Ema Santa-Bárbara, Filipe Fernandes, Inês Cunha, Maria Carvalho, Maria João Silva, Mayra Ronda, Micaela Soares, Rebekah Hamilton, Rita Trigo, Rui Pereira, Tatiana Rocha, Vasco Lima [Alunos do 3º ano do curso de Teatro do Balleteatro Escola Profissional]
Produção balleteatro
Duração 2H

9 a 11 de Novembro | 21H30 (público geral)
10, 11 de Novembro | 15H00 (público escolar)

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

desassossego

Dou por mim longe de certos factos, sorrindo perante outros.
Nunca desejei um país de silêncios, mas sim o oposto - de chuvas doces.
“Caberá o mar dentro da tua ausência?"
o vento esqueceu-se de me trazer o aroma que me era apaixonado. E mesmo assim agradeço.
Mais um dia… e outro… e vejo-os a passar por entre os dedos.
Os poemas vão desaparecendo no desassossego da idade.
E a dor de qualquer coisa vazia regressa.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Familiaridade de um beijo

As minhas memórias estão a perder asseio. O seu grau de intensidade mantém-se porque as sinto, mas o doce sabor que me crescia na boca vai desaparecendo lentamente. Não é velhice com perda de memória. Talvez seja o medo inactivo de que cada uma delas se dissipe. Então de quando em vez lembro-me, mesmo que seja num lugar enevoado, pois o cheiro é sempre o mesmo, num toque que não se ausenta.

domingo, 4 de setembro de 2011

thought of you by ryan woodward

sendo-o

Somos feitos exactamente da mesma matéria que os outros produzem. E assim se forma um ciclo vicioso. “Sê tu próprio” é miragem. Somos o que advém de alguém ou de alguma coisa. E assim somos, sondo-o. E no meio de toda a nossa matéria, cometeremos sempre as loucuras dos nossos progenitores e as generosidades da pessoa que esta manhã se sentou ao nosso lado no autocarro. Por isso chamar-nos-emos um ser que se multiplica para se formar, para um dia mais tarde o ser, dentro de uma metafísica pouco eficaz.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

uma noite para...

Algumas das palavras morreram onde nasce o sorriso da maior sanguessuga. Outras mantêm-se onde nasce o brilho das paisagens rasgadas.
Dentro da noite os sonhos apagam-se como se por magia.
E a luz do cigarro acende-se no fim da rua, enquanto te escorre saliva pelos lábios pouco vermelhos.
A cor dos dias zumbiu à volta da cabeça e os dias de inspiração aparecem e desaparecem nas luzes frágeis dos candeeiros das cidades.
Pela última noite. Até uma morte lenta cair de um abismo.
E a página em branco componha as letras que lá escreverei.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

a cidade surda

A cidade está deserta. O ar cheira a inverno e as pontes esculpiram-se em gordura silenciosa.
A cura dos dias apagou-se, fechou-se numa cela coberta de gelo e nem o animal mais selvagem poderá lá entrar.
Está frio lá fora, vazio.
A cidade matou-se com o seu próprio veneno. E agora qualquer um pode ser o que conhece dos outros. Como outrora foi.
Cheira a desastre lá fora.
Não te assustes.

sábado, 16 de abril de 2011

felicidade

Caminho como nunca caminhei, distante, sem saber o percurso exacto das palavras. De todas as vezes que fecho os olhos desejo escrever o que sinto sem mergulhar num gélido lago de inocências. De todas as vezes que nos vejo num lugar que não o nosso, pergunto-me se o tempo se mantém morto ou somos nós que nos mantemos na mesma divisão da casa. Se o brilho das imagens matasse, eu não estaria morta, porque todos os dias, depois de acordar, ergo-me e sinto uma leveza de felicidade, ainda que uma pequena pontada de fraqueza me obrigue a olhar o chão.

domingo, 3 de abril de 2011


Talvez seja um amor afigurado pela loucura.

Mas que outro gesto pediria permanência?

sexta-feira, 11 de março de 2011

imagem precária

O mundo naquele quarto, foi como uma noite que não terminava com uma madrugada de ametista mais bonita que tudo.
A verdade é que estávamos a seguir uma espécie de pratica ascética, nós os dois, de uma modo natural, como se respirássemos sem hesitações. E sem porquês, sei que éramos, em pequenos momentos, apenas um.
Íamos investigando formas de perpetuar a juventude que – somos obrigados a dize-lo – não dura eternamente.Nós os dois.

quarta-feira, 2 de março de 2011

um pequeno doce (parte II)

disse-lhe:
"Eu poderia sentir-me grande e estar à altura. Poderias tu, sentir-te pequeno e estar na mais infindável cabana de loucuras. Poderíamos estar os dois no mesmo caminho como bêbedos embebidos de felicidade. Poderíamos até nem ser nós próprios por um dia, e aí o dia, teria mais do que simples 24horas."

um pequeno doce


disse-lhe:
"Não era bonito?
pensa comigo.
Poderia ser bonito de tantas e de variadas maneiras. Podia ser bonito no dia mais escuro do ano. Podia ser bonito na noite mais maravilhosa da história da humanidade. Era bonito à nossa maneira, mas era. Bastava que ambos sentissem. Vamos tentar? Escolhes tu o primeiro lugar."

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

eu&tu

uma única respiração;
um único corpo;
um único movimento;
um único toque:
um único segredo;
uma única forma de prazer,
na cama inerte de outrem.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

incêndio

É cegueira para quem procura esta visão.
O sono é atormentado por sonhos vazios,
Para que não sinta os olhos arder, e a desaparecer.
Ainda se ouve…
Mesmo que as cinzas já quase não existam.
O seu sabor açucarado, já não se afasta.


Como é doce o silêncio.

domingo, 23 de janeiro de 2011

desejo


Silencia o teu corpo no meu ouvido,
E mergulharemos numa linha de fogo, ausente.
Porque a visão alheia não nos reconhece.

por aqui

Por aqui, relembra-se.
Por aqui, sonha-se,
Num barco isolado.
Assiste-se ao percurso exacto da viagem.
Por aqui, morde-se o lábio,
Como gesto de fracasso.
Por aqui…
Por aqui, procura-se cinco sentidos,
Sem saber o lugar exacto onde os encontrar.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

de mim sem voz

Eu não sei.
Não sei.
Não sei o quanto me vives e pensas fora de mim.
Não sei onde estás quando nos possuímos,
E somos um único movimento.
Sei.
Sei que gostava de chegar cansada da rotina,
E ver-te depois daquela porta,
Á minha espera com aquele teu olhar,
Que incrivelmente me toca, entre outros toques lineares.
Talvez a lembrança seja minha.
Afinal lembro-me do prazer ser nosso.

dizer por dizer

“ O som da voz rouca e masculina, entoa sobre a cidade oca.
A água envelhecida, suja pelo tempo, mostra-se impetuosa pelas ruas.”
Não há causa para escrever sobre o que há por aqui..
Talvez seja porque nem sempre encontro os melhores termos.
Os mundos parecem tão longe,
O que digo está tão distante,
Como o meu corpo está do céu.
Se conseguisse ficar mais perto…
Perdoa o meu problema de expressão.

um único vazio

Consegues ver?
Consegues ver este cálice com o cheiro a veneno?
Um cálice apenas.
Um único cálice com cheiro a veneno puro,
Numa sala entre o nada, vazia, sem cor.
Consegues ver?
Consegues ouvir este silêncio humano que se arrasta
Por cada face do corpo nu, deixando pequenas marcas de dor.
Consegues ver?
Consegues tocar as minhas palavras sem voz,
Mudas porque escureceu de vez.
Consegues ver?
O cálice apagou-se,
Mas ainda se sente o cheiro do veneno.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

p.s.

Parte-se de um princípio insólito.
Não digo, que cada toque seja como o primeiro, mas essa sensação não me estranha.
Em dias de temporal, existe um equilíbrio entre as memórias mais nostálgicas, e as mais sublimes.
Não digo, que todas estejam guardadas na minha melhor caixa, ainda assim, têm um lugar seco em dias de chuva.
Parte-se de um lugar insólito.
Onde estamos? Aonde me levas?
p.s. and guess what?

quando te vejo, sem ver

A cama teria um cheiro diferente, se houvesse a presença de ambos.
E a vontade de um beijo teria sentido.

parte II

A sala de espera estava cada vez mais fria. Aquele sol gelado batia-me no rosto bombardeando cada expressão.
Naquele espaço ocupado apenas por mim, não haviam lembranças, apenas premonições incertas, uma vontade de apagar-me e ver-te, que nem mesmo a ti te lembra.
Escrevo-te, por mim, para mim, mesmo que as noites mal dormidas se tornem permanentes.

insignificâncias

Se eu me calasse, manteria uma dor incógnita trancada em milhares de noites e dias.
Se eu falasse seria apenas porque mais ninguém o fez.
Se eu gritasse soltaria o desespero que o outro não precisa ver.
Se eu me fechasse seria por ambos, e via no espelho a mulher mais feliz do mundo.
Se em quatro passos o tempo parasse, eu faria-os só para ouvir cantar a voz morta que há entre nós.