Boa noite.
Até a uma nova manhã.
Se eu quiser
Se tu mudares.
Boa noite
E não te desejo nada mais.
Sorrimos e fingimos?
Ou arrumamos todos os factos
Numa gaveta sem tranca?
Estou apagada de qualquer frase que nos envolva.
Cansada de esperar e não ver para além de uma superfície encarde
Por ti, não por mim.
Boa noite
Porque o sono já me pega
E as forças esgotaram-se.
Boa noite, “meu amor”, se assim me te permites chamar.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Metafísica de te ter

De volta ao meu lugar. O meu lugar vazio, tão meu, sem o contágio dos outros, sem as respostas que procuro, sem o que eu não sei.
De volta ao meu lugar. Aqui todo o tempo é meu, e os meus momentos de não mulher, criança – menina, são meus porque tu não estás.
A minha cama cheira a madrugada. As horas são frias e o relógio não as conta. Numa noite como assim teria as mil e uma palavras para te dizer. Se aqui estivesses, limitava-me a fechar os olhos e dormir sobre ti.
Já acordei a sonhar com o que viria depois de nós. Em todos as visões tu já não estavas.
Já me vi a olhar-te entre lençóis manchados de nós, a pensar que o que queres não é o que precisas, a pensar que a tua pouca vontade de me teres ali, nunca irá mover-nos para um outro espaço.
De volta ao meu lugar. Aqui todo o tempo é meu, e os meus momentos de não mulher, criança – menina, são meus porque tu não estás.
A minha cama cheira a madrugada. As horas são frias e o relógio não as conta. Numa noite como assim teria as mil e uma palavras para te dizer. Se aqui estivesses, limitava-me a fechar os olhos e dormir sobre ti.
Já acordei a sonhar com o que viria depois de nós. Em todos as visões tu já não estavas.
Já me vi a olhar-te entre lençóis manchados de nós, a pensar que o que queres não é o que precisas, a pensar que a tua pouca vontade de me teres ali, nunca irá mover-nos para um outro espaço.
Quero-nos em vida inerte, quero-te meu, no meu lugar.
Anti-Naturalidade de um Dia
Estava isolada por ela própria, cavava naquela terra pedaços de vida deixados para trás. Pequenos grãos de terra banhados por respostas enigmáticas. Fechou os olhos perante aquele quadro, lembrando-se assim, a razão de não fugir. Esperava que a sua fuga lhe viesse chamar, ou pelo menos sussurrar-lhe como em tempos lhe fazia. Como até á chegada daquele minuto, as pegadas eram impossíveis de se ouvir, deixou-se ali ficar. O peso de si era bem mais forte do que a não motivação de alguém. Com o apagar do dia o vento tornou-se seco, ainda que a aquela terra continuasse molhada.
Os seus olhos mantiveram-se fechados até a luz anti-natura lhe cobrir por completo. Não foram precisas palavras, nem mesmo abrir os olhos durante os primeiros segundos, foi suficiente sentirem a presença um do outro. Ergueu-se sobre aquela presença masculina que demorara a chegar e de olhos entreabertos segui-o, com o intuito de sair daquele lugar carregado de emoções de que nada lhe servia, agora que os seus passos pesados abandonavam aquela pequena cidade pertencente apenas a si e ás suas lamurias.
Chegaram por fim a uma casa coberta de ar quente. Uma casa com ar quente, uma corrente de ar quente não humana. Tinha apenas como espaço uma cama, com cheiro a chocolate, e uma chama pertencente a uma vela antiga de velha antepassada. Não disseram uma única palavra até então. Ele dera-lhe tempo para ela se deixar imobilizar pelo aquele espaço. Sem permissão, tocou-lhe no ombro levando-a a deitar-se naquela cama, que de tanto temera. Estavam ali, sobre lençóis doces, sem se tocarem, sem se olharem. Ele sabia com que convicção o havia de fazer. Sabia que gestos interpretar, que palavras citar, e que olhar colocar, numa rima longe de ser harmoniosa, numa peça longe de estar em palco. E ele Sabia-o, inevitavelmente sabia-o, mas deixou-se ali por longos instantes. Apenas a olhá-la sem se ver. Ela continuava confortavelmente apavorada.
Chegaram por fim a uma casa coberta de ar quente. Uma casa com ar quente, uma corrente de ar quente não humana. Tinha apenas como espaço uma cama, com cheiro a chocolate, e uma chama pertencente a uma vela antiga de velha antepassada. Não disseram uma única palavra até então. Ele dera-lhe tempo para ela se deixar imobilizar pelo aquele espaço. Sem permissão, tocou-lhe no ombro levando-a a deitar-se naquela cama, que de tanto temera. Estavam ali, sobre lençóis doces, sem se tocarem, sem se olharem. Ele sabia com que convicção o havia de fazer. Sabia que gestos interpretar, que palavras citar, e que olhar colocar, numa rima longe de ser harmoniosa, numa peça longe de estar em palco. E ele Sabia-o, inevitavelmente sabia-o, mas deixou-se ali por longos instantes. Apenas a olhá-la sem se ver. Ela continuava confortavelmente apavorada.
Tinha os seus saberes: sabia o que estava próximo de acontecer, sabia que queria fugir dali, mas depois dali, não haveria nada como no principio, e entre estar a viver no pavor, e estar sentada no nada, sem contagem do tempo, sem saber quando é que ele vai voltar, era bem melhor viver tudo de novo, vezes e vezes sem conta. E neste impasse de não ou plena liberdade, ele num acto de loucura, deixa-a em tons de pela natural. Apenas uma parte do seu corpo estava protegida, os seus pés tapados por botas de fuga que nunca antes usara, e naquele dia, ainda ao amanhecer, surgiram-lhe entre ruas, serviam-lhe na perfeição. Naquela noite, e porque apenas naquela noite, ele tocou-lhe até há mais infinita dor. Depois de não haver mais lágrimas silenciosas, depois de o sono cair sobre ele. Ela levantou-se na forma mais pacífica que conhecia, pegou na sua roupa, abriu a porta cuidadosamente, olhou-o pela última vez e sentiu que o nada seria seu um dia. Correu sobre aquele solo morto o mais que a sua respiração o permitiu. Quando parou já era dia. Era dia sobre o mar. Não sabia a sua localização exacta, mas tinha a certeza de que a próxima paragem estava bem longe do cheiro a cama chocolate, da vela sem iluminação de caminho fluente, da casa sobre o solo morto.
Perdeu o privilégio de se lembrar, esqueceu a cara daquele homem, esqueceu tudo o que lhe continha. Lembrando-se apenas dos cheiros sem olfacto e da imagem de umas botas velhas em velocidade máxima. A imagem melódica de como desapareceram daquela terra morta.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
lacere de boas memórias
Não foi uma tarde pré-descrita, nem tão pouco sobre a luz de um dia comum. Foi uma tarde sobre caminhos silenciosos, sem o contra-peso do ninguém de alguém.
Eras imagem que desaparecia e reaparecia sobre o negro da tua voz dormida, e eu era apenas o aconchego de uma tarde fria.
Éramos olhos pálidos sobre uma cama vazia, independente de sabores alheios, e eu a sussurrar-te coisas que não conseguias ouvir, sobre o cheiro do silêncio de uma chama, iluminada pelo inverno ainda virgem.
Os lábios foram rescritos sobre pedra e o nosso rosto recalcado sobre terra molhada, ainda que fosse o sonho mais belo de uma menina. Todos os sentidos deveriam pertencer a um tempo velho e usado, mas ainda encontro, no meio de páginas memoriais, o som de um vestido velho a caminhar pelo chão perante uma luz imortal, sem o vento, sem presença humana – esquecer seria nunca te lembrar, por isso não o faço – lembro-me porque assim o escolhi, mesmo que por dentro me macule.
Lembro-me dos dias em que não estava lá para ficar imóvel sobre ti.
Lembro-me dos momentos em que não havia mobilidade depois de nós.
Eras imagem que desaparecia e reaparecia sobre o negro da tua voz dormida, e eu era apenas o aconchego de uma tarde fria.
Éramos olhos pálidos sobre uma cama vazia, independente de sabores alheios, e eu a sussurrar-te coisas que não conseguias ouvir, sobre o cheiro do silêncio de uma chama, iluminada pelo inverno ainda virgem.
Os lábios foram rescritos sobre pedra e o nosso rosto recalcado sobre terra molhada, ainda que fosse o sonho mais belo de uma menina. Todos os sentidos deveriam pertencer a um tempo velho e usado, mas ainda encontro, no meio de páginas memoriais, o som de um vestido velho a caminhar pelo chão perante uma luz imortal, sem o vento, sem presença humana – esquecer seria nunca te lembrar, por isso não o faço – lembro-me porque assim o escolhi, mesmo que por dentro me macule.
Lembro-me dos dias em que não estava lá para ficar imóvel sobre ti.
Lembro-me dos momentos em que não havia mobilidade depois de nós.
sábado, 27 de novembro de 2010
The Laramie Project

"O ódio não é um valor de Laramie." Para Moisés Kaufman e os membros do Tectonic Theater Project, esta mensagem afixada à entrada de um hotel daquela cidade, no Wyoming (EUA), deve ter parecido, no mínimo, contraditória. Afinal, estavam ali, pela primeira vez (uma entre muitas) para estudar um homicídio brutal. Um crime de ódio.A história é a de Matthew Sheppard, um jovem homossexual de 21 anos que, a 7 de Outubro de 1998, foi brutalmente espancado por outros dois jovens, amarrado a uma vedação, nos arredores de Laramie, e ali abandonado. A morte de Sheppard, dias mais tarde, num hospital do Colorado, chocou a América e o resto do mundo.A história deste crime, as consequências, as repercussões e as reacções dos habitantes, contaram-nas depois na peça de teatro Laramie."
Direcção e encenação Luís mestre
Interpretação Andreia Pereira, Ângelo Carvalho, Carolina Macedo, Cátia Oliveira, Cristiana Pereira, Débora Coelho, Diana Teixeira, Diogo Rosas, Ema Santa-Bárbara, Filipe Fernandes, Inês Cunha, Maria Antunes, Maria João Silva, Mayra Ronda, Micaela Soares, Rebekah Hamilton, Rita Trigo, Rui Pereira, Tatiana Rocha, Vasco Lima (alunos do 2ºano do balleteatro escola profissional)
Assistente de projecto Márcio Ferreira
Produção balleteatro
Duração aprox 60min
Classificação etária m/12
Datas
25 - 27 de Novembro 21h30 (Público em geral)
26 de Novembro 15h00 (Sessão para Escolas)
28 de Novembro 16h00 (Público em geral)
por ser quem és
Os raios de sangue dos teus olhos começaram a crescer, e entre eles um mar sem cor.
Entre longos segundos percorreu o único caminho imaculado da tua face, e mais tarde quebraste o reflexo que te vazia, num acto de fracasso.
Entre longos segundos percorreu o único caminho imaculado da tua face, e mais tarde quebraste o reflexo que te vazia, num acto de fracasso.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
apagando o fumo de cinzas
Sorriu-me perante uma luz cega, como se nada do que foi nos mantivesse próximos.
Fingiu-me perante enganos mudos, cometidos entre outros tantos.
Sorri-lhe, fingi-lhe de volta, olhando sem ver, para o lugar de onde viemos, a perguntar-me se não deveria apagar a ultima vez em que, eu, em corpo de mulher me vi desaparecer.
O futuro não recordado já não tem espera, para ambos. Como indivíduos por si sós, esperamos pelo fim da noite, vazio por nós.
E a única certeza que me vê em toque, é a dependência de uma realidade que nos percorre as veias.
Fingiu-me perante enganos mudos, cometidos entre outros tantos.
Sorri-lhe, fingi-lhe de volta, olhando sem ver, para o lugar de onde viemos, a perguntar-me se não deveria apagar a ultima vez em que, eu, em corpo de mulher me vi desaparecer.
O futuro não recordado já não tem espera, para ambos. Como indivíduos por si sós, esperamos pelo fim da noite, vazio por nós.
E a única certeza que me vê em toque, é a dependência de uma realidade que nos percorre as veias.
sábado, 6 de novembro de 2010
Éramos homens. Todos nós. Homens esmagados por ruídos.
Éramos homens. Todos nós. Tão frágeis, repugnados pela nossa presença.
[tortura-me o silencio. Tortura-nos nada estar vivo, não haver gota de nitidez.
Apodrece-me cada frase não dita.
Apodrece-nos estarmos perdidos num mundo de não prazeres.]
Éramos homens, cada um por si só. Unidos em espaço, pelo pensamento.
Éramos homens, entre homens e mulheres.
Éramos homens. Todos nós. Tão frágeis, repugnados pela nossa presença.
[tortura-me o silencio. Tortura-nos nada estar vivo, não haver gota de nitidez.
Apodrece-me cada frase não dita.
Apodrece-nos estarmos perdidos num mundo de não prazeres.]
Éramos homens, cada um por si só. Unidos em espaço, pelo pensamento.
Éramos homens, entre homens e mulheres.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Incerteza de um lugar
A multidão gritava. O desespero em cada rosto melodizava o espaço. O som moldava a não cor do mar.
Uma multidão de corpos intocáveis, com presença de personagem, apagando uma luz que viera de noite, ainda que de dia.
Por lá, havia alguém não pertencente àquela gente.
Estático; tocável; pálido; real em corpo gélido.
Olhar ocupante de um lugar distante. Um olhar que passava por entre a multidão, sem ver. Descalço, para sobre a água, revelou um gesto de certeza…
De que por ali iria ficar.
Uma multidão de corpos intocáveis, com presença de personagem, apagando uma luz que viera de noite, ainda que de dia.
Por lá, havia alguém não pertencente àquela gente.
Estático; tocável; pálido; real em corpo gélido.
Olhar ocupante de um lugar distante. Um olhar que passava por entre a multidão, sem ver. Descalço, para sobre a água, revelou um gesto de certeza…
De que por ali iria ficar.
sábado, 16 de outubro de 2010
xeque-mate

Uma luta. Que não é positiva, nem tão pouco negativa, mas uma luta.
Tentando matar cada minuto de um quadro sem beleza, sem arte aos olhos do povo – sem dialectos.
Nesta luta sem jogadores, vamos matando cada segundo, esperando os próximos.
E pintando, ao mesmo tempo da matança, o meu quadro de fantasia.
Nas nossas paredes, com os nossos olhares.
Num jogo só nosso, sem vencedores.
Apenas com perdedores.
Tentando matar cada minuto de um quadro sem beleza, sem arte aos olhos do povo – sem dialectos.
Nesta luta sem jogadores, vamos matando cada segundo, esperando os próximos.
E pintando, ao mesmo tempo da matança, o meu quadro de fantasia.
Nas nossas paredes, com os nossos olhares.
Num jogo só nosso, sem vencedores.
Apenas com perdedores.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
vagueando pelo vazio
Um corpo entoado pelo álcool;
Um corpo estático pelo sono;
Dois corpos – poucas palavras;
Numa noite não longa;
Uma chegada á distância, de pouca duração;
Sem imagem precária, sem sentido.
Dois corpos - passado.
Nenhum deles se recorda.
Dois corpos – num julgamento sem provas.
Um corpo estático pelo sono;
Dois corpos – poucas palavras;
Numa noite não longa;
Uma chegada á distância, de pouca duração;
Sem imagem precária, sem sentido.
Dois corpos - passado.
Nenhum deles se recorda.
Dois corpos – num julgamento sem provas.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
rever ás sombras

Voltei a ver. Revi.
Revi o olhar pálido, por entre a distância, onde o tempo não recua, nem avança – permanece.
Revi.
Revi o caminhar gélido, sobre a água, inconfundível, mas tanto ou pouco igual a outros.
Caminhei pela metafísica e revi.
Silenciei, os passos, a respiração. Silenciei-me.
Num lugar restrito, num espaço meu, sem um único fio de fragilidade.
Revi-me.
Em estado petrificado,
Sem decifrar palavra a palavra de ninguém.
Revi o olhar pálido, por entre a distância, onde o tempo não recua, nem avança – permanece.
Revi.
Revi o caminhar gélido, sobre a água, inconfundível, mas tanto ou pouco igual a outros.
Caminhei pela metafísica e revi.
Silenciei, os passos, a respiração. Silenciei-me.
Num lugar restrito, num espaço meu, sem um único fio de fragilidade.
Revi-me.
Em estado petrificado,
Sem decifrar palavra a palavra de ninguém.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
escrita em objecto

Sento-me nesta sala e relembro um naufrágio, meu, em tons de azul, quase intocável.
Tenho, de mim, uma imagem de uma postura de perfeição. Confortável em toque, em desconforto inquietante no interior.
Lembro-me de pertencer a um olhar tão meu, tão pouco dos próximos. Olhar nervoso, com medo do horizonte, para o qual devia manter-me concentrada.
Soltava suaves sorrisos enquanto alheios encontravam gargalhadas num lugar onde eu tentava ser eu, em mim, melhor.
Lembro-me de olhar pela janela, e ver uma outra, rodeada de um tempo envelhecido, pertencente a um passado, vivendo num presente onde qualquer um, lá habita. Ainda assim, as cores sujas não deixam de ter encanto. São apenas cores apagadas, molhadas pela chuva recente de inverno, tão suja quanto aquelas cores, mas com capacidade melódica de marcar quem parar para as observar.
O cor-de-rosa era antigo. Não mostrava beleza de um vestido de uma criança fantasiada de princesa. Talvez nem seja cor-de-rosa, mas sim cor de casa antiga. O branco, morto, manchado de impureza.
Lembro-me de ver um vaso. Folhas verdes, quase inexistentes. Entre elas uma pequena flor, de cor vermelha. O único ser, ali, vivo. Uma pequena vida a olhar o céu, enquanto à sua volta, o que devia ser vida, era apenas objecto esquecido de uma tela fracassada.
Tenho, de mim, uma imagem de uma postura de perfeição. Confortável em toque, em desconforto inquietante no interior.
Lembro-me de pertencer a um olhar tão meu, tão pouco dos próximos. Olhar nervoso, com medo do horizonte, para o qual devia manter-me concentrada.
Soltava suaves sorrisos enquanto alheios encontravam gargalhadas num lugar onde eu tentava ser eu, em mim, melhor.
Lembro-me de olhar pela janela, e ver uma outra, rodeada de um tempo envelhecido, pertencente a um passado, vivendo num presente onde qualquer um, lá habita. Ainda assim, as cores sujas não deixam de ter encanto. São apenas cores apagadas, molhadas pela chuva recente de inverno, tão suja quanto aquelas cores, mas com capacidade melódica de marcar quem parar para as observar.
O cor-de-rosa era antigo. Não mostrava beleza de um vestido de uma criança fantasiada de princesa. Talvez nem seja cor-de-rosa, mas sim cor de casa antiga. O branco, morto, manchado de impureza.
Lembro-me de ver um vaso. Folhas verdes, quase inexistentes. Entre elas uma pequena flor, de cor vermelha. O único ser, ali, vivo. Uma pequena vida a olhar o céu, enquanto à sua volta, o que devia ser vida, era apenas objecto esquecido de uma tela fracassada.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
gota de água em mente criativa
Junção de prazeres
Uma folha verde desgastada, encostada no meu ombro.
Marcada por sentidos opostos no delinear de gestos outrora teus.
Tão sentidos, parecendo quase reais na altura. Tão teus, tão meus.
Tão nossos.
Num berço real construído por palavras deixadas para trás.
Palavras que talvez, ainda permaneçam no hoje, ao meu ouvido.
E ainda que se arrastassem em arestas tão pouco desenhadas, gastas com o passar de um tempo inexistente.
Marcada por sentidos opostos no delinear de gestos outrora teus.
Tão sentidos, parecendo quase reais na altura. Tão teus, tão meus.
Tão nossos.
Num berço real construído por palavras deixadas para trás.
Palavras que talvez, ainda permaneçam no hoje, ao meu ouvido.
E ainda que se arrastassem em arestas tão pouco desenhadas, gastas com o passar de um tempo inexistente.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
sendo e não sendo por alguém
Esta manhã olhei-te pelo espelho.
Vi-te naufragada, entre naufrágios, na terra de outrem.
Vi-te naufragada, entre naufrágios, na terra de outrem.
I hope you never go away
Sem cair na sinfonia
Ouvi chamar-me como pequena mulher.
Fechei os olhos e tentei viajar num mundo que não o meu.
Num outro momento,
De olhos entreabertos, a ver o nada,
Continuei a sentir um sussurrar com cheiro a melodia.
Melodia quebrada.
Foram enganos meus por tornar melódico o que pertencia à categoria de ilusão.
Nunca fui pequena mulher.
Apenas pequena no seu mundo, a procurar um mundo.
Apenas algo pequeno num banco de jardim idealizado à espera de outra razão para sair de um espaço que não o meu.
Espera-se por mais um sussurrar,
Sem saber se ainda algum respira por si só.
Fechei os olhos e tentei viajar num mundo que não o meu.
Num outro momento,
De olhos entreabertos, a ver o nada,
Continuei a sentir um sussurrar com cheiro a melodia.
Melodia quebrada.
Foram enganos meus por tornar melódico o que pertencia à categoria de ilusão.
Nunca fui pequena mulher.
Apenas pequena no seu mundo, a procurar um mundo.
Apenas algo pequeno num banco de jardim idealizado à espera de outra razão para sair de um espaço que não o meu.
Espera-se por mais um sussurrar,
Sem saber se ainda algum respira por si só.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
sem hoje num amanhã
Inconscientemente falando
Alguém no silêncio da noite.
Passos mudos, respirar surdo, a procurar um regresso.
Encontra-se sozinha numa estrada fria.
Por capricho da noite, afunda-se em seres desconhecidos, nunca antes vistos, repletos de ruídos em cada encruzilha.
Numa luz suprema os passos tornam-se expressivos, o respirar cada vez mais audível e o encontrar do regresso cada vez mais próximo.
Todos presentes, ninguém por perto.
Por turbulência quebrada,
A rua torna-se deserta,
E o silêncio da noite permanente.
E novamente,
O nada aproximado de um vazio.
Passos mudos, respirar surdo, a procurar um regresso.
Encontra-se sozinha numa estrada fria.
Por capricho da noite, afunda-se em seres desconhecidos, nunca antes vistos, repletos de ruídos em cada encruzilha.
Numa luz suprema os passos tornam-se expressivos, o respirar cada vez mais audível e o encontrar do regresso cada vez mais próximo.
Todos presentes, ninguém por perto.
Por turbulência quebrada,
A rua torna-se deserta,
E o silêncio da noite permanente.
E novamente,
O nada aproximado de um vazio.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Ironia Invertida
Come take a walk with me

Desperdício de ser.
Pensa-se no que não se tem
Procura-se ser o que o ontem não aceitou.
Desperdício de mim.
Vagueia-se por lados opostos
Caminha-se por caminhos, um dia, traçados.
Desperdício de ti.
Por te lembrares
E voltares sem gesto.
Desperdício de mim.
Por deixar que aqui estejas
Pensa-se no que não se tem
Procura-se ser o que o ontem não aceitou.
Desperdício de mim.
Vagueia-se por lados opostos
Caminha-se por caminhos, um dia, traçados.
Desperdício de ti.
Por te lembrares
E voltares sem gesto.
Desperdício de mim.
Por deixar que aqui estejas
E que faças parte de um pouco de mim tão próximo.
domingo, 5 de setembro de 2010
Dependeres
Depende de mim, de ti, de nós.
Depende da vida sobre a mesa.
Não é necessário esperar
Se assim for, a inutilidade acontece.
Não é necessário esquecer
Se assim for, a futilidade aparece.
Depende da vida sobre a mesa.
Não é necessário esperar
Se assim for, a inutilidade acontece.
Não é necessário esquecer
Se assim for, a futilidade aparece.
Não depende de mim, de ti, nem de nós.
Não depende da vida sobre a mesa.
Não depende da dependência.
Depende em abafar o que não resta.
Depende em acreditar num depender vazio.
Depende em estar ou não estar
Num lugar por hoje inexistente.
Não depende da vida sobre a mesa.
Não depende da dependência.
Depende em abafar o que não resta.
Depende em acreditar num depender vazio.
Depende em estar ou não estar
Num lugar por hoje inexistente.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Meu ninguém

Meu ninguém...
Mesmo de olhos vendados, mesmo sem intuito de procura, mesmo que o que faça não venha de mim…
Só me encontro se ouvir chamar.
De outra forma,
Deixo-me aqui.
Sem mancha de qualquer toque
Com um feitiço inacabado como forma de acreditar num conforto
Com a palavra de ninguém
Apenas com um sorriso como expressão falhada.
Mesmo de olhos vendados, mesmo sem intuito de procura, mesmo que o que faça não venha de mim…
Só me encontro se ouvir chamar.
De outra forma,
Deixo-me aqui.
Sem mancha de qualquer toque
Com um feitiço inacabado como forma de acreditar num conforto
Com a palavra de ninguém
Apenas com um sorriso como expressão falhada.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Mundo miúdinho [Parte II]
Gosto de acreditar que vivemos num irreal.
Pertencente a nós próprios.
Gosto de acreditar que um eu deve crer.
E apagar faz parte de quem assim o quer.
Pertencente a nós próprios.
Gosto de acreditar que um eu deve crer.
E apagar faz parte de quem assim o quer.
Já não existe

A solução é pensar que não estava em mim.
Era miragem, e todos os ruídos mentira.
O peso de mim deu para ficar protegida ou agarrada ao muito, [pouco] que tinha.
Deu para ouvir, chorar, falar, ver a ir, ver a ficar.
Deu para ver toques de mãos alheias.
Olhares, pensares sobrepostos a nós.
Fortalecemos um mundo de unificadas.
Confundimos um jogo purificado repleto de promessas.
São memórias de olhos fechados.
Vamos viver como até agora:
Sem noite até então.
Era miragem, e todos os ruídos mentira.
O peso de mim deu para ficar protegida ou agarrada ao muito, [pouco] que tinha.
Deu para ouvir, chorar, falar, ver a ir, ver a ficar.
Deu para ver toques de mãos alheias.
Olhares, pensares sobrepostos a nós.
Fortalecemos um mundo de unificadas.
Confundimos um jogo purificado repleto de promessas.
São memórias de olhos fechados.
Vamos viver como até agora:
Sem noite até então.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Um eu talvez
O aqui está como deve ser.
Como outrora foi.
Cada partícula isolada por si só.
Num acreditar que morre
Sem pedir perdão.
Como outrora foi.
Cada partícula isolada por si só.
Num acreditar que morre
Sem pedir perdão.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Como quiseres

A espera hoje incomoda.
Os sentidos estão trocados e não há ninguém para alguém.
Os diálogos são cada vez menos, e a distância cada vez mais longa.
Não consigo imaginar um caminho traçado por passos, talvez nossos.
Não consigo ver para além do próximo minuto.
Por agora,
Deixo-me ficar pelas frases omitidas.
Pelo feito rodeado de não feito.
Pelo que virá, se assim o quiseres.
Os sentidos estão trocados e não há ninguém para alguém.
Os diálogos são cada vez menos, e a distância cada vez mais longa.
Não consigo imaginar um caminho traçado por passos, talvez nossos.
Não consigo ver para além do próximo minuto.
Por agora,
Deixo-me ficar pelas frases omitidas.
Pelo feito rodeado de não feito.
Pelo que virá, se assim o quiseres.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Até voltares
Um agora é suficiente

Talvez fosse mais fácil virar as costas ao que resta.
Fechar os olhos a tudo o que fez parte de um passado ainda presente.
Mas seria apagar o que o tempo nos mostrou.
Seria esquecer o que ainda não procuramos.
Assim, espero que o que não tenho apareça – um dia – em breve.
E o que tenho, permaneça até um de nós não gostar de coisas fáceis.
Fechar os olhos a tudo o que fez parte de um passado ainda presente.
Mas seria apagar o que o tempo nos mostrou.
Seria esquecer o que ainda não procuramos.
Assim, espero que o que não tenho apareça – um dia – em breve.
E o que tenho, permaneça até um de nós não gostar de coisas fáceis.
Porque o que eu escolhi faz parte até haver um não.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Só mais uma página
(se) fosse uma viagem
Era uma vez uma mulher em sonho de menina
que esperava encontrar o dia na próxima paragem.
que esperava encontrar o dia na próxima paragem.
[tudo (se) parte sem aviso]
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
O antes no depois

Numa estranha junção de ideias, o resultado não é deveras neutro, apenas confuso e sem sentido, tal como deve ser.
Um dia aprendi a idealizar para não viver apenas no que é credível, utilizo assim, o silêncio como palavra.
Tudo mudou de uma forma fácil, mas extremamente dolorosa, e em outros termos tão pouco superficiais. Gostava daqueles dias. Gosto desses dias. A verdade é que não havia outro lugar onde pudéssemos ir. A verdade é que procurei todas as gramas para haver segredo. Vi o que não via, perdendo o controlo, ganhando o que não tinha.
Hoje não sei se as tuas palavras continuam irreais, a verdade é que estamos para além do rio, e ainda sei que não é sempre justo, e que tudo o resto é falso.
Ainda gosto de fechar os olhos e sentir que estou perto, gosto de esperar que o vento traga o que as palavras não nos contam.
Numa cama sem respostas, onde por vezes nós transmitimos o que um simples acto esconde, os novos impactos tornam-se cada vez mais especiais.
Tudo mudou de uma forma fácil, mas extremamente dolorosa, e em outros termos tão pouco superficiais. Gostava daqueles dias. Gosto desses dias. A verdade é que não havia outro lugar onde pudéssemos ir. A verdade é que procurei todas as gramas para haver segredo. Vi o que não via, perdendo o controlo, ganhando o que não tinha.
Hoje não sei se as tuas palavras continuam irreais, a verdade é que estamos para além do rio, e ainda sei que não é sempre justo, e que tudo o resto é falso.
Ainda gosto de fechar os olhos e sentir que estou perto, gosto de esperar que o vento traga o que as palavras não nos contam.
Numa cama sem respostas, onde por vezes nós transmitimos o que um simples acto esconde, os novos impactos tornam-se cada vez mais especiais.
Era óptimo que tudo fosse mais fácil.
Puramente imaculado.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Ida talvez sem Volta
domingo, 18 de julho de 2010
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Mácula
segunda-feira, 5 de julho de 2010
terça-feira, 22 de junho de 2010
Sinto-te

Penso na vida depois da morte. O que há para além de um corpo abandonado, quem o abandona. Que fragmentos existem depois de olhos já fechados.
21 gramas abandonadas num mundo desconhecido tão antes conhecido.
21 gramas, segredos da chama quente de uma rua escura e sem saída.
21 gramas, vulto frio saído de caminho sangrento.
Sinto uma presença.
Recuo, e não há nada.
Ouço um respirar ofegante, de alguém que está perto, mas tão longe se encontra. Agora.
Breves movimentos vagueiam diante o meu corpo, tento acompanhá-los, mas perco-os.
Sinto-o aqui.
Num breve instante solta o toque macio, e em pequenos e quase silenciosos suspiros solta palavras que em tempos ouvi.
Sinto-te.
Aqui.
Fecho os olhos e sinto que estou perto.
Sinto-te, outra vez.
21 gramas abandonadas num mundo desconhecido tão antes conhecido.
21 gramas, segredos da chama quente de uma rua escura e sem saída.
21 gramas, vulto frio saído de caminho sangrento.
Sinto uma presença.
Recuo, e não há nada.
Ouço um respirar ofegante, de alguém que está perto, mas tão longe se encontra. Agora.
Breves movimentos vagueiam diante o meu corpo, tento acompanhá-los, mas perco-os.
Sinto-o aqui.
Num breve instante solta o toque macio, e em pequenos e quase silenciosos suspiros solta palavras que em tempos ouvi.
Sinto-te.
Aqui.
Fecho os olhos e sinto que estou perto.
Sinto-te, outra vez.
domingo, 20 de junho de 2010
A Sombra [...]

Um corpo desenhado sobre qualquer superfície, que nem mesmo com a mistura de olhares turbulenta se consegue decifrar o que nele vagueia.
Ali se transmite o que um simples acto esconde.
Ali se ouve o que as palavras se recusam a dizer.
Ali se vê a verdade desenhada em contornos negros.
Uma sombra é mais do que um seguimento real. É o percurso do oculto.
Uma sombra é lábios cerrados, olhos fechados.
A sombra é o movimento anónimo, é quem mostra.
Ali se transmite o que um simples acto esconde.
Ali se ouve o que as palavras se recusam a dizer.
Ali se vê a verdade desenhada em contornos negros.
Uma sombra é mais do que um seguimento real. É o percurso do oculto.
Uma sombra é lábios cerrados, olhos fechados.
A sombra é o movimento anónimo, é quem mostra.
A sombra é quem fala.
terça-feira, 15 de junho de 2010
Serralves em festa 2010
Fotografia: José EduardoFICARÃO DE FORA OS CÃES
Quantas maneiras há para se morrer? De que variadas formas o sono final nos pode assaltar? Um ataque cardíaco, um terramoto, ou um simples ataque de tosse. E quando? Daqui a um ano, um dia ou neste preciso segundo? Podemos fugir, mas não nos podemos esconder...
Direcção - Jaime C. Soares
Interpretação - alunos dos Cursos de Teatro e Dança do Balleteatro Escola Profissional - Humberto Caetano, Bruna Martins, Maria Carolina Montbrun, Valter Fernandes, Ema Santa Bárbara, Maria Antunes, Micaela Soares, Vasco Lima, Bruno Almeida, Cláudia Moreira, Flávio Loureiro, Olena Pyeskova, Inês Viegas, Raquel Calção, Ricardo Pereira, Hélder Silva, Pedro Andrade, Marisa Carvalhido, José Silva, José Leite, Márcio Ferreira, Patrícia Teixeira.
Assistente do projecto - Alexandre Tavares
Operação de som - Matu
Produção - Balleteatro
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Simbologia de Mar

Água em constante movimento, simboliza o transitório, ambivalência e a dúvida. Potência violenta, destrutiva e indominável, constituí um espaço de dissolução, um abismo profundo, metaforizando a morte e as pulsões, desconhecidas e temidas, do inconsciente. Enquanto calmo, o Mar aproxima-se simbolicamente da Água maternal (o rio, a fonte); uma vez tempestuoso, perde estas características, adquirindo um perfil masculino que representa quer a força, quer a consciência infeliz.
Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, Dicionário dos símbolos, trad. de Cristina Rodrigues e Artur Guerra, Lisboa, Teorema, 1994 [texto adaptado]
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Novo impacto
O teu impacto com o mundo.
O meu impacto contigo.
O amanhã é desconhecido -
Por agora fico aqui a olhar-te enquanto dormes, á espera que me chames mais uma vez.
Não te preocupes, deixei a luz acessa caso acordasses - agora nada mais importa.
O meu impacto contigo.
O amanhã é desconhecido -
Por agora fico aqui a olhar-te enquanto dormes, á espera que me chames mais uma vez.
Não te preocupes, deixei a luz acessa caso acordasses - agora nada mais importa.
terça-feira, 18 de maio de 2010
Insólito
"E que o vento traga o que as palavras não nos contam.
Porque o sonho é demenos
E a vida é demais."
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Palavras - toque
Por palavras doces dizes metáforas convenientes.Num fraco momento soltas o toque macio e em pequenos suspiros dizes as palavras que procuro ouvir.
Palavras não são apenas palavras quando lhe damos a intuição certa.
Gosto.
Gosto das palavras segredo.
Gosto de fechar os olhos e sentir que estou perto.
Não gosto de acordar.
Não gosto de chegar á realidade.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Nada

Num fio de fumo nasce a ideia de lunário. De nada sei quando procuro, fico em nada quando não encontro.
No teu deserto, a morte parece não fazer sentido. Onde a eternidade poder ser nada, e o nada poder ser qualquer outra coisa que desconheces.
Um corte em vida pode ser a maneira mais fácil de chegar ao deserto.
No teu deserto, a morte parece não fazer sentido. Onde a eternidade poder ser nada, e o nada poder ser qualquer outra coisa que desconheces.
Um corte em vida pode ser a maneira mais fácil de chegar ao deserto.
Ouvindo o tempo passar, do deserto não resta nada, na eternidade a perda de tempo é eterna.
Eu sei que não é justo e que tudo o resto é falso.
Eu sei que não é justo e que tudo o resto é falso.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Narrativa
"Fui ver quem era. Uma criança a estender a mão. Dei-lhe a minha inteira atenção, ouvi-a.
Num reflexo rápido vejo o gato a atirar-se contra a cara da miúda. Não tive reacção. Deixei-o ir.
Ele sai por si só, corre em direcção à travessa do molho, mergulha – queima-se – morre.
Ouvi-o queixar-se por uns segundos, mas mesmo assim continuei a dar a minha atenção à pequena. Quando esta acabou o seu discurso de “Quero!; Não pode?; Por favor!; Não se importa?”, dirigi-me à travessa, guardei uma tigela de molho para mim, para o meu jantar, e coloquei o bicho em molho num parto mais bonito, e dei á miúda. Ela foi embora, contente e feliz. Eu? Fui limpar a cozinha e fazer o jantar."
Num reflexo rápido vejo o gato a atirar-se contra a cara da miúda. Não tive reacção. Deixei-o ir.
Ele sai por si só, corre em direcção à travessa do molho, mergulha – queima-se – morre.
Ouvi-o queixar-se por uns segundos, mas mesmo assim continuei a dar a minha atenção à pequena. Quando esta acabou o seu discurso de “Quero!; Não pode?; Por favor!; Não se importa?”, dirigi-me à travessa, guardei uma tigela de molho para mim, para o meu jantar, e coloquei o bicho em molho num parto mais bonito, e dei á miúda. Ela foi embora, contente e feliz. Eu? Fui limpar a cozinha e fazer o jantar."
domingo, 25 de abril de 2010
Foge...
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Irreal

Olho à minha volta.
Caminho em direcção ao espelho onde o meu reflexo parece irreal.
Observo.
Procuro.
Não encontro nada.
Tentei sentir-me.
As minhas unhas marcaram um caminho sangrento no meu corpo. Mas nem o líquido vermelho a percorrer-me fez diferença.
Não sinto.
Sou irreal tal como o reflexo.
Irreal como muitas das tuas palavras.
Não basta ver o rio.
É preciso senti-lo.
Eu não o sinto.
Tu também não.
Caminho em direcção ao espelho onde o meu reflexo parece irreal.
Observo.
Procuro.
Não encontro nada.
Tentei sentir-me.
As minhas unhas marcaram um caminho sangrento no meu corpo. Mas nem o líquido vermelho a percorrer-me fez diferença.
Não sinto.
Sou irreal tal como o reflexo.
Irreal como muitas das tuas palavras.
Não basta ver o rio.
É preciso senti-lo.
Eu não o sinto.
Tu também não.
terça-feira, 13 de abril de 2010
Eu e tu - Relembro

Ao deitar-me decidi relembrar, quando o sol ainda ia alto e, o fim do dia tardara cada vez mais.
Voltei a sentir tudo de novo, o toque imortal. A lembrança daqueles dias em que cada um de nós só sentia o toque um do outro.
"I can remember all the things that you did". Nunca me vem à memória os meus actos, mas sei que te agradavam.
Vem à memória todas as tuas palavras, que de certa forma me deixaram confusa. Mas a confusão era agradável. Era uma forma de saber que eramos reais. Era a forma mais crua de te ter por perto, mas estava ali. Não queria sair.
Na verdade, nem eu, nem tu tinhamos outro sitio destinado. Na verdade, não havia outro lugar onde pudessemos ir. Ali estava o segredo. Para o mundo não era segredo, era loucura, mas para nós, o aparecimento de um mundo privado tinha de se manter em segredo.
Micaela Soares Ema Santa-Bárbara
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Personagem
"Procuro soldados, guerreiros. Homens com necessária força para derrotar o que ainda não foi derrotado.
Homens imunes ao medo, à derrota. Homens imunes ás chamas, imunes ao sangue alheio cravado nas suas mãos.
Homens sem armas, sem identidade, homens que só sentem a sua própria revolta.
Eu não procuro a destruição, eu faço-a.
Não aceito fracasso. Eu faço as forças fracassarem.
Aceito ver corpos desfeitos , ruas destruídas, planícies queimadas.
Aceito ver o caos.
Sou a Guerra. Qualquer Guerra. Todas as Guerras.
Sou a Guerra que acaba sempre, mas sempre intemporal."
Homens imunes ao medo, à derrota. Homens imunes ás chamas, imunes ao sangue alheio cravado nas suas mãos.
Homens sem armas, sem identidade, homens que só sentem a sua própria revolta.
Eu não procuro a destruição, eu faço-a.
Não aceito fracasso. Eu faço as forças fracassarem.
Aceito ver corpos desfeitos , ruas destruídas, planícies queimadas.
Aceito ver o caos.
Sou a Guerra. Qualquer Guerra. Todas as Guerras.
Sou a Guerra que acaba sempre, mas sempre intemporal."
terça-feira, 23 de março de 2010
Porque ainda me movo
A sala já não tem o mesmo cheiro. o suor já não é suficiente.Tudo mudou de uma forma fácil mas tão pouco surpeficial.
A exaustão do teu rosto enoja-me. E a minha tira-me a coragem, quando a olho ao espelho.
Sinto o meu corpo tocar no chão imundo, sinto cada aresta arrastar-se.
Pergunto-me agora o que não sinto. Pergunto-me se quero sentir.
Pergunto-me se sou capaz, ou se já sinto demasiado nojo do pouco suor que o meu corpo marca no chão.
Pergunto porque é que me pergunto. Porque ainda me movo.
terça-feira, 16 de março de 2010
Parte do texto fracasso
sexta-feira, 5 de março de 2010
21 gramas
[Individuos estranhos, desconhecidos dizem que todos nós carregamos 21 gramas.] 21 gramas é quanto eu, tu, ele carrega.
É o vulto frio.
É o quente da chama que deixas-te acesa naquela rua escura, onde ninguém passava.
É o quente do frio.
21 gramas carregas, carregamos.
21 gramas são segredos.
21 gramas pesa a minha alma, a tua, a dele.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Gosto destes dias assim
Gosto destes dias assim. Os dias são cinzentos demais, a chuva é escassa e os trovões têm a frequência certa.
Gosto destes dias assim. A luz apaga-se e o ruído da natureza torna-se cada vez mais forte. Sinto o medo da criança que me abraça para que eu possa protege-la. Acalmo-a com as melhores palavras que encontro. Ela volta a dormir envolvida nos meu braços.
O som forte da natureza continua. Não me assusta. Agora não.
O estremecer do céu torna-se constrangedor, mas tranquilizante.
Gosto destes dias assim, onde só existe a luz do cinzento. Onde o céu chora por todos aqueles que não têm coragem para o fazer.
Gosto destes dias assim. Fecho os olhos, fico hipnotizada ao som da natureza magoada.
Gosto destes dias assim. A luz apaga-se e o ruído da natureza torna-se cada vez mais forte. Sinto o medo da criança que me abraça para que eu possa protege-la. Acalmo-a com as melhores palavras que encontro. Ela volta a dormir envolvida nos meu braços.
O som forte da natureza continua. Não me assusta. Agora não.
O estremecer do céu torna-se constrangedor, mas tranquilizante.
Gosto destes dias assim, onde só existe a luz do cinzento. Onde o céu chora por todos aqueles que não têm coragem para o fazer.
Gosto destes dias assim. Fecho os olhos, fico hipnotizada ao som da natureza magoada.
segunda-feira, 1 de março de 2010
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
O Jogo
Natureza – Coca-Cola – sente-se cada respiração das árvores das gotas de chuva.
Pátria – coração – um conjunto de sofrimento, só pelo poder de ganhar.
Dança – Alma – tu consegues sentir cada movimento com a paixão necessária.
Teatro – mágico – a presença, o olhar, o calor do nervosismo, tudo faz sentido.
Noite – escuro – misteriosa, a noite agarra-te sem te dares conta.
Amor – esquisito – não há definição, nem precisa de haver, acontece se tiver que acontecer.
Amizade – "putas" – é o apoio indispensável do ombro amigo frágil.
[Sente-se cada ramagem das árvores, das gotas do leito.]
[um conjunto de amor, mata por ganhar]
[Tu consegues sentir cada que, e soltas o necessário]
[E não, sem ti, o calor do nervosismo não é possível.]
[tudo na noite consegue ser cerrado sem te dares conta]
[não há translúcido, e não precisa de haver o ontem.]
[é o apoio por doença do ombro amigo.]
Um conjunto de amor que mata por ganhar – esquisito
Tu consegues sentir cada que, e soltas o necessário – alma
E não, sem ti, o calor do nervosismo não é possível – coração
Tudo na noite consegue ser cerrado sem te dares conta - mágico
Pátria – coração – um conjunto de sofrimento, só pelo poder de ganhar.
Dança – Alma – tu consegues sentir cada movimento com a paixão necessária.
Teatro – mágico – a presença, o olhar, o calor do nervosismo, tudo faz sentido.
Noite – escuro – misteriosa, a noite agarra-te sem te dares conta.
Amor – esquisito – não há definição, nem precisa de haver, acontece se tiver que acontecer.
Amizade – "putas" – é o apoio indispensável do ombro amigo frágil.
[Sente-se cada ramagem das árvores, das gotas do leito.]
[um conjunto de amor, mata por ganhar]
[Tu consegues sentir cada que, e soltas o necessário]
[E não, sem ti, o calor do nervosismo não é possível.]
[tudo na noite consegue ser cerrado sem te dares conta]
[não há translúcido, e não precisa de haver o ontem.]
[é o apoio por doença do ombro amigo.]
Um conjunto de amor que mata por ganhar – esquisito
Tu consegues sentir cada que, e soltas o necessário – alma
E não, sem ti, o calor do nervosismo não é possível – coração
Tudo na noite consegue ser cerrado sem te dares conta - mágico
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
A carta sombra
Vejo que a carta está queimada, no delinear das palavras indesejadas.
Sombras no quarto amaldiçoado, percorrem as paredes sujas. Procuram vida na morte, procuram vida nas palavras queimadas, nos pontos riscados pela caneta antiga.
A carta voa, arrasta-se pelo chão. É levada pela sombra que perdeste quando abriste a caixa. Aquela caixa miragem.
Agora a sombra existe. A carta não.
Agora a carta está queimada.
[Baseado na carta nº27 do baralho cigano]
Sombras no quarto amaldiçoado, percorrem as paredes sujas. Procuram vida na morte, procuram vida nas palavras queimadas, nos pontos riscados pela caneta antiga.
A carta voa, arrasta-se pelo chão. É levada pela sombra que perdeste quando abriste a caixa. Aquela caixa miragem.
Agora a sombra existe. A carta não.
Agora a carta está queimada.
[Baseado na carta nº27 do baralho cigano]
domingo, 21 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Sem Sentido
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Poema
"Ao longe, ao luar
No rio uma vela,
Serena a passar,
Que é que me revela?
Não sei, mas meu ser
tornou-se-me estranho,
E eu sonho sem ver
Os sonhos que tenho.
Que angústia me enlaça?
Que amor não se explica?
É a vela que passa
Na noite que fica."
No rio uma vela,
Serena a passar,
Que é que me revela?
Não sei, mas meu ser
tornou-se-me estranho,
E eu sonho sem ver
Os sonhos que tenho.
Que angústia me enlaça?
Que amor não se explica?
É a vela que passa
Na noite que fica."
Fernando Pessoa
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Possível Definição de Silêncio
O silêncio não é uma arma, não é uma protecção, é apenas um modo de vida.
É a maneira mais fácil de não ouvir o (in)desejável, (in)dispensável.
o silêncio é uma forma estranha de falar com os pensamentos, é um pequeno ataque ao mundo das lembranças, uma pequena invasão aos sentimentos desconhecidos.
É uma fuga aos olhares e as palavras.
Não é um erro, é uma esolha.
É a maneira mais fácil de não ouvir o (in)desejável, (in)dispensável.
o silêncio é uma forma estranha de falar com os pensamentos, é um pequeno ataque ao mundo das lembranças, uma pequena invasão aos sentimentos desconhecidos.
É uma fuga aos olhares e as palavras.
Não é um erro, é uma esolha.
Silêncio é palavra.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Dica
"Quem quiser vencer na vida
deve fazer com os seus sábios;
mesmo com a alma partida,
ter um sorriso nos lábios."
Dinamor
20.01.2010
Surrealismo
Ataca-lhe sem qualquer receio, e do nada, transforma-se numa pequena e maravilhosa mosca. Acaricia a presa, diz-lhe o quanto a ama, abraçam-se. Atravessam o oceano juntos, à espera de encontrar o tal momento esperado, mergulham na profundidade das rosas da paixão, ambos transformam-se num só, num único tigre disposto a atacar seja quem for para voltar a viver o ataque da paixão insignificante. Um tigre o que é? Uma mancha na savana, um voo ao despique na tela.
17.01.2010
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
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