sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

eu&tu

uma única respiração;
um único corpo;
um único movimento;
um único toque:
um único segredo;
uma única forma de prazer,
na cama inerte de outrem.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

incêndio

É cegueira para quem procura esta visão.
O sono é atormentado por sonhos vazios,
Para que não sinta os olhos arder, e a desaparecer.
Ainda se ouve…
Mesmo que as cinzas já quase não existam.
O seu sabor açucarado, já não se afasta.


Como é doce o silêncio.

domingo, 23 de janeiro de 2011

desejo


Silencia o teu corpo no meu ouvido,
E mergulharemos numa linha de fogo, ausente.
Porque a visão alheia não nos reconhece.

por aqui

Por aqui, relembra-se.
Por aqui, sonha-se,
Num barco isolado.
Assiste-se ao percurso exacto da viagem.
Por aqui, morde-se o lábio,
Como gesto de fracasso.
Por aqui…
Por aqui, procura-se cinco sentidos,
Sem saber o lugar exacto onde os encontrar.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

de mim sem voz

Eu não sei.
Não sei.
Não sei o quanto me vives e pensas fora de mim.
Não sei onde estás quando nos possuímos,
E somos um único movimento.
Sei.
Sei que gostava de chegar cansada da rotina,
E ver-te depois daquela porta,
Á minha espera com aquele teu olhar,
Que incrivelmente me toca, entre outros toques lineares.
Talvez a lembrança seja minha.
Afinal lembro-me do prazer ser nosso.

dizer por dizer

“ O som da voz rouca e masculina, entoa sobre a cidade oca.
A água envelhecida, suja pelo tempo, mostra-se impetuosa pelas ruas.”
Não há causa para escrever sobre o que há por aqui..
Talvez seja porque nem sempre encontro os melhores termos.
Os mundos parecem tão longe,
O que digo está tão distante,
Como o meu corpo está do céu.
Se conseguisse ficar mais perto…
Perdoa o meu problema de expressão.

um único vazio

Consegues ver?
Consegues ver este cálice com o cheiro a veneno?
Um cálice apenas.
Um único cálice com cheiro a veneno puro,
Numa sala entre o nada, vazia, sem cor.
Consegues ver?
Consegues ouvir este silêncio humano que se arrasta
Por cada face do corpo nu, deixando pequenas marcas de dor.
Consegues ver?
Consegues tocar as minhas palavras sem voz,
Mudas porque escureceu de vez.
Consegues ver?
O cálice apagou-se,
Mas ainda se sente o cheiro do veneno.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

p.s.

Parte-se de um princípio insólito.
Não digo, que cada toque seja como o primeiro, mas essa sensação não me estranha.
Em dias de temporal, existe um equilíbrio entre as memórias mais nostálgicas, e as mais sublimes.
Não digo, que todas estejam guardadas na minha melhor caixa, ainda assim, têm um lugar seco em dias de chuva.
Parte-se de um lugar insólito.
Onde estamos? Aonde me levas?
p.s. and guess what?

quando te vejo, sem ver

A cama teria um cheiro diferente, se houvesse a presença de ambos.
E a vontade de um beijo teria sentido.

parte II

A sala de espera estava cada vez mais fria. Aquele sol gelado batia-me no rosto bombardeando cada expressão.
Naquele espaço ocupado apenas por mim, não haviam lembranças, apenas premonições incertas, uma vontade de apagar-me e ver-te, que nem mesmo a ti te lembra.
Escrevo-te, por mim, para mim, mesmo que as noites mal dormidas se tornem permanentes.

insignificâncias

Se eu me calasse, manteria uma dor incógnita trancada em milhares de noites e dias.
Se eu falasse seria apenas porque mais ninguém o fez.
Se eu gritasse soltaria o desespero que o outro não precisa ver.
Se eu me fechasse seria por ambos, e via no espelho a mulher mais feliz do mundo.
Se em quatro passos o tempo parasse, eu faria-os só para ouvir cantar a voz morta que há entre nós.