sexta-feira, 9 de setembro de 2011

desassossego

Dou por mim longe de certos factos, sorrindo perante outros.
Nunca desejei um país de silêncios, mas sim o oposto - de chuvas doces.
“Caberá o mar dentro da tua ausência?"
o vento esqueceu-se de me trazer o aroma que me era apaixonado. E mesmo assim agradeço.
Mais um dia… e outro… e vejo-os a passar por entre os dedos.
Os poemas vão desaparecendo no desassossego da idade.
E a dor de qualquer coisa vazia regressa.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Familiaridade de um beijo

As minhas memórias estão a perder asseio. O seu grau de intensidade mantém-se porque as sinto, mas o doce sabor que me crescia na boca vai desaparecendo lentamente. Não é velhice com perda de memória. Talvez seja o medo inactivo de que cada uma delas se dissipe. Então de quando em vez lembro-me, mesmo que seja num lugar enevoado, pois o cheiro é sempre o mesmo, num toque que não se ausenta.

domingo, 4 de setembro de 2011

thought of you by ryan woodward

sendo-o

Somos feitos exactamente da mesma matéria que os outros produzem. E assim se forma um ciclo vicioso. “Sê tu próprio” é miragem. Somos o que advém de alguém ou de alguma coisa. E assim somos, sondo-o. E no meio de toda a nossa matéria, cometeremos sempre as loucuras dos nossos progenitores e as generosidades da pessoa que esta manhã se sentou ao nosso lado no autocarro. Por isso chamar-nos-emos um ser que se multiplica para se formar, para um dia mais tarde o ser, dentro de uma metafísica pouco eficaz.