terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A carta sombra

Vejo que a carta está queimada, no delinear das palavras indesejadas.
Sombras no quarto amaldiçoado, percorrem as paredes sujas. Procuram vida na morte, procuram vida nas palavras queimadas, nos pontos riscados pela caneta antiga.
A carta voa, arrasta-se pelo chão. É levada pela sombra que perdeste quando abriste a caixa. Aquela caixa miragem.
Agora a sombra existe. A carta não.
Agora a carta está queimada.




[Baseado na carta nº27 do baralho cigano]

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