sexta-feira, 30 de abril de 2010

Narrativa

"Fui ver quem era. Uma criança a estender a mão. Dei-lhe a minha inteira atenção, ouvi-a.
Num reflexo rápido vejo o gato a atirar-se contra a cara da miúda. Não tive reacção. Deixei-o ir.
Ele sai por si só, corre em direcção à travessa do molho, mergulha – queima-se – morre.
Ouvi-o queixar-se por uns segundos, mas mesmo assim continuei a dar a minha atenção à pequena. Quando esta acabou o seu discurso de “Quero!; Não pode?; Por favor!; Não se importa?”, dirigi-me à travessa, guardei uma tigela de molho para mim, para o meu jantar, e coloquei o bicho em molho num parto mais bonito, e dei á miúda. Ela foi embora, contente e feliz. Eu? Fui limpar a cozinha e fazer o jantar."

1 comentário: